quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

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Procura-me. No meio da solidão dentro de um buraco bem escondido. Foi para lá que me mandaram. Foi para lá que quiseram que eu fosse, e eu, lá fui. Sem palavras nem reclamações. Fiz tudo o que queriam e agora, a culpa continua a ser minha? O mundo é realmente injusto. Aliás, a sociedade é que é injusta. As pessoas. (É disto que eu tenho medo).

Eu pelos visto não tinha direito de ser como era. Contrariada mas sem palavras eu mudei. Mas agora parece que preferiam o outro eu. E digo-vos, “eu também”, mas para meu desagrado, agora não consigo mudar. Se era assim que me queriam ver, parabéns, parece que conseguiram. Derrotaram aquele meu lado que se revelava sempre que havia algo de mau. O meu lado em que permanecia a força. Está derrotado. Eu, mais uma vez, dou-vos os parabéns!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Passado.

-Não. E digo não simplesmente por ser não. Não há motivo nem justificação. Um não chega.
-Talvez?
-Não. Não é não.
-Será sempre não?
-Tudo mudou...
-Responde-me. Será sempre não?
-Os sentimentos...
-Sentimentos? Porque não me dizes a verdade...
-Não percebes.
-Sinceramente, não, não percebo.
-Pois...
-Porque foges?
-...
-Achava-te diferente.
-Eu sou assim.
-Não eras, mudas-te.
-Sempre fui assim.
-Não. Eu sempre te tentei compreender, mas ela, ela é que te mudou.
-Não...
-(suspiros)
-Desculpa.
-(lágrimas)
-...
-Não!

Uma fúria penetrava pelo seu corpo. O mundo não era aquilo que ela via, tudo se desmoronou. As lágrimas apresentavam-se enquanto o sorriso era apagado, destruído completamente. Havia uma parte dela que não acreditava naquilo que lhe tinha acontecido. Mas o mundo apertou, apertou, apertou de tal forma que tornou-se miseravelmente pequeno e ela passou a ter, todos os dias, a verdade à frente dos seus olhos.

(Grito: FODASSE!)

Passado!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Pensam mal.

Quando pensam que só por sermos jovens somos felizes e temos todos os motivos para estar bem. Pensam mal. Quando pensam que só porque há pessoas bem piores que nós, nós temos que estar bem. Pensam mal. Quando pensam que a verdade é aquilo que vêem. Pensam mal.

Além de jovens somos pessoas. Mas vocês, os dito adultos, cismam em dizer-nos “Vocês ainda não sabem o que é a vida”. Podemos nem saber o que é a vida, mas quando podemos, aproveitámo-la.

(Apenas com 17 anos sinto-me uma autêntica velha. Cabelo branco? Não,talvez algum. Cansaço? Não, Muito.Dor de cabeça? Não, estas tecnologias… Dores musculares? Irão ser mais. )

Já pensaram, que podemos sofrer por vocês? Pois, nunca se lembram disso, é pena.

Quando um jovem é compreendido, é tudo muito mais fácil. Só que, acaba por ser tudo mais complicado porque ninguém nos compreende.

Porque em relação aos jovens, pensam sempre mal!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

De dia para dia.

Escondia-se por detrás daquelas mágoas que a assombrava. O medo aprisionou-a naquela escuridão e transformou-a numa pessoa que ela não era. Lutou. Esforçou-se ao máximo para conseguir que aquele dia, o dia em que tudo mudava, o dia em que tudo começava, chegasse. O esforço foi tal que os músculos rasgaram e o seu corpo tremia por todas as suas partes. Aquecia. O suor escorria pela sua pele lisa e clara. Nada se ouvia a não ser as gotas de suor a embater com o chão e a sua respiração. O barulho dos ossos a estalar ensurdecia o suave da sua voz. Aquecia ainda mais. Caiam ainda mais gotas e cada vez mais aceleradas. O barulho era cada vez mais ensurdecedor. Os músculos rasgavam ainda mais, cada vez com mais violência. O batimento cardíaco aumentava… “pum-pum, pum-pum, pum-pum”. O calor era desesperador, era infernal. As dores eram cada vez mais fortes, mais dolorosas. O sofrimento aumentava de dia para dia.

domingo, 15 de novembro de 2009

Tu, já lá não estavas.

O dia apenas tinha começado e eu já sentia a tua falta. Tínhamos estado juntos na noite anterior, os dois, a ver as estrelas. Uma pequena estrela cadente passou o céu, de um lado ao outro e tu disseste-me que pedisse um desejo. Pedi para que todos os dias à noite eu pudesse sentar-me contigo naquelas escadas a ver as estrelas. Na noite seguinte jantei o mais rápido que pude, para conseguir ir ter contigo. Um sorriso no rosto e um brilho nos olhos era a expressão da minha cara. Parecia uma criança quando vê uma loja cheia de brinquedos. Mas mal cheguei à loja, desiludi-me. O brinquedo que eu queria não estava lá. O brilho nos olhos não passava de lágrimas e o sorriso no rosto era apenas uma maneira de esconder a minha tristeza. Foi então que descobri que nada era verdade. A estrela cadente não passava de um avião e o "nós" não passava do "tu" e "eu" . Apesar disso, eu continuava a sentar-me todas as noites naquelas escadas a ver as estrelas. Ainda tinha a esperança de que tu pudesses aparecer e que te sentasses ali comigo. Passou um dia, dois dias… e eu continuava sozinha. Então, deixei de lá ir, de nada adiantava, tu não aparecias. As saudades apertavam e as recordações já não acalmavam o sentimento. Passei dias a olhar para o telemóvel à espera de uma sms tua, com o Messenger ligado à espera que me dissesses algo, mas nada, parecia que te tinhas esquecido de mim.

(E não é que, te esqueces-te mesmo? Quando voltei a ir ver as estrelas tu estavas lá, mas, não estavas sozinho.)

*olhos de vampiro*