domingo, 20 de setembro de 2009
sábado, 19 de setembro de 2009
Autopsicografia
" O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E o que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."
Fernando Pessoa
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Não acelerava por mim.
O meu coração perguntava ao teu se sentia o mesmo. Mas, em vez de uma resposta, apenas ouvia o bombear cada vez mais lento. O meu, acelerava. Tentei de tudo para reanimar o teu, mas ele estava cada vez mais frouxo. Tentei reanimar e nada, tentei respiração boca a boca e nada. Continuava a bater, cada vez mais devagar. Então, foi aí que reparei que a minha presença, o meu coração, a minha existência já não alterava nada em ti. O teu coração não acelerava por me ver, não acelerava por sentir os meus lábios nos teus, não acelerava por mim.
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