segunda-feira, 19 de julho de 2010

O talvez acabou.

Saudades originadas por parvoíces. Isso mesmo, parvoíces e nada mais. Não por perda, não por separação, mas por parvoíces. Talvez seja patético ter saudades do que possivelmente nunca cheguei a ter ou sentir, mas eu digo Sinto Saudades. Sim, é isso mesmo. Não estás a ler nem a ouvir mal, não estás a ter alucinações nem visões. É a mais pura das verdades. Talvez tenhamos suspendido as nossas falas porque assim o destino quis, ou porque assim [nós] tu quiseste. Ou talvez porque o tempo parou e eu não dei conta. Talvez por eu ter ido longe e ter acreditado que era possível mudar alguma coisa nestas criaturas consideradas de seres humanos. Talvez por acreditar que a terra é redonda e que o universo é infinito eu fui tão longe. Talvez…

domingo, 11 de julho de 2010

“Primeiro, não toques nos ponteiros.

Segundo, domina a tua cólera.

Terceiro, nunca, mas nunca te apaixones porque senão,

no relógio do teu coração, o grande ponteiro das horas

trespassar-te-á a pele, os teus ossos implodirão

e o mecanismo avariar-se-á de novo.”

Mathias Malzieu, A mecânica do coração

Gritos



Os gritos obstinados que eu confessava por entre aquelas paredes zeladas pelo silêncio, atormentavam os surdos e endoideciam os mudos. Não passavam de meros gritos, que eu, endoidecida e desvairada pelo fragor do sentimento, deixava escapar por entre os dentes gemados, a língua buliçosa e os lábios avermelhados. Angústias acabadas ou ansiedades vindouras? Algo inexplicável atingia-me o peito de uma forma tão severa que amedrontava tudo à minha volta. Ficou tudo tão franzino. A razão quebrou-se, os sentimentos estilhaçaram-se. O aperto era cada vez mais doloroso, cada vez mais aflitivo… cada vez mais assassino.


Não é possível falar em voz baixa?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Diferença?

E um dia desejei ser diferente. Planeei acordar e sonhar, e não o contrario. Adormeci na minha realidade e acordei no meu sonho. Quis viver naquela história de encantar, contada pela minha mãe na minha infância. O céu era sempre azul e não existiam impedimentos. Era tudo como na realidade adormecida. Tudo tão fácil, tudo tão belo. Correr pelos campos e sentir o verde das ervas na pele e o calor do sol nas pequenas bochechas da face que iam ficando cada vez mais avermelhadas. O sorriso que permanecia o dia inteiro era algo inconsciente. A pequena oportunidade de viver, dada por alguém que nos conduzirá toda a vida, era uma forte razão para a permanência do sorriso.

Mas agora, sem o desejar e sem o planear, adormeci no meu sonho e acordei na minha realidade. Sou igual ao que sempre fui.

Diferença?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Para além de...

No término da fúria que me transpunha para uma existência supérflua encontrei a minha linha orientadora. O espelho que reflectia, não a realidade evidente, mas a realidade que não conseguimos alcançar. Uma realidade que está para além daquilo que vemos, tocamos, cheiramos e escutamos. A realidade imaginária. Aquela que todos supomos não existir a não ser no nosso imaginário que não passa de um belo brinquedo para entreter a nossa melancolia. A realidade está para além do querer e sentir, está para além da amizade e do amor, para além daquilo que somos e queremos ser.