domingo, 11 de julho de 2010

Gritos



Os gritos obstinados que eu confessava por entre aquelas paredes zeladas pelo silêncio, atormentavam os surdos e endoideciam os mudos. Não passavam de meros gritos, que eu, endoidecida e desvairada pelo fragor do sentimento, deixava escapar por entre os dentes gemados, a língua buliçosa e os lábios avermelhados. Angústias acabadas ou ansiedades vindouras? Algo inexplicável atingia-me o peito de uma forma tão severa que amedrontava tudo à minha volta. Ficou tudo tão franzino. A razão quebrou-se, os sentimentos estilhaçaram-se. O aperto era cada vez mais doloroso, cada vez mais aflitivo… cada vez mais assassino.


Não é possível falar em voz baixa?

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