domingo, 11 de julho de 2010

Gritos



Os gritos obstinados que eu confessava por entre aquelas paredes zeladas pelo silêncio, atormentavam os surdos e endoideciam os mudos. Não passavam de meros gritos, que eu, endoidecida e desvairada pelo fragor do sentimento, deixava escapar por entre os dentes gemados, a língua buliçosa e os lábios avermelhados. Angústias acabadas ou ansiedades vindouras? Algo inexplicável atingia-me o peito de uma forma tão severa que amedrontava tudo à minha volta. Ficou tudo tão franzino. A razão quebrou-se, os sentimentos estilhaçaram-se. O aperto era cada vez mais doloroso, cada vez mais aflitivo… cada vez mais assassino.


Não é possível falar em voz baixa?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Diferença?

E um dia desejei ser diferente. Planeei acordar e sonhar, e não o contrario. Adormeci na minha realidade e acordei no meu sonho. Quis viver naquela história de encantar, contada pela minha mãe na minha infância. O céu era sempre azul e não existiam impedimentos. Era tudo como na realidade adormecida. Tudo tão fácil, tudo tão belo. Correr pelos campos e sentir o verde das ervas na pele e o calor do sol nas pequenas bochechas da face que iam ficando cada vez mais avermelhadas. O sorriso que permanecia o dia inteiro era algo inconsciente. A pequena oportunidade de viver, dada por alguém que nos conduzirá toda a vida, era uma forte razão para a permanência do sorriso.

Mas agora, sem o desejar e sem o planear, adormeci no meu sonho e acordei na minha realidade. Sou igual ao que sempre fui.

Diferença?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Para além de...

No término da fúria que me transpunha para uma existência supérflua encontrei a minha linha orientadora. O espelho que reflectia, não a realidade evidente, mas a realidade que não conseguimos alcançar. Uma realidade que está para além daquilo que vemos, tocamos, cheiramos e escutamos. A realidade imaginária. Aquela que todos supomos não existir a não ser no nosso imaginário que não passa de um belo brinquedo para entreter a nossa melancolia. A realidade está para além do querer e sentir, está para além da amizade e do amor, para além daquilo que somos e queremos ser.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Rebentou.

Aconteceu. Talvez porque eu não fui lúcida o suficiente ou porque não vi a realidade como ela é. Confundi-a com a minha realidade, a minha maneira de ver e viver as coisas tão insignificantes, mas tão essenciais, que o mundo nos oferece. Nem todos temos as mesmas necessidades, mas nem toda a gente percebe isso. Acham que os seus interesses são os interesses dos outros. Mas não é assim. Não somos todos iguais, felizmente. Cada um vive da forma que acha que lhe dará mais felicidade e satisfação. Vivemos todos à procura da felicidade. Mas, muitas vezes, esquecemo-nos que para estarmos bem os outros podem não estar. Então, temos de procurar um ponto de equilíbrio. Um ponto, em que traga felicidade para todos. Mas muitos não pensam assim, muitos só pensam em si, só querem saber da sua felicidade. São muito egocêntricos. Demasiado.

Pessoas que dizem que compreendem, mas no fundo não compreendem. Amigos que se afastam só por terem interesses diferentes. Pessoas que riem com o sofrimento dos outros. Supostos amigos que gozam só para que o acordar daquele dia não tenha sido em vão, para eles. Pois para mim, é indiferente. Critiquem, gozem, riam. Sejam felizes, eu também o serei.

Vivo e sobrevivo.