domingo, 7 de março de 2010

Onicofagia


É o hábito de roer as unhas. Na realidade não é uma questão tão simples como a nossa sociedade a considera. Não é um simples hábito como empiricamente se afirma, mas um sintoma de alguma perturbação na sua estrutura psicológica. Este aparente hábito inicia-se com um processo emocional conflituoso, inconsciente por vezes, especialmente tendo como causas primordiais a falta de atenção dos pais, que se limitam na sua azáfama quotidiana, a alimentar as crianças organicamente o melhor que podem e sabem, a preocupar-se por vezes com muita ansiedade com a higiene e o melhor vestuário que lhe podem dar. Mas tão cheios de procupações laborais e domésticas, tão apressados nos seus horários, muitas vezes condicionados por programas televisivos, que ignoram os olhares suplicantes e chamativos das suas crianças, os seus chamamentos de atenção por vezes agessivos e incomodativos, que originam as reacções não desejadas, como críticas, ralhos e gritos. Por vezes os conflitos surgem entre o casal, que extravasam em discussões testemunhadas pelas pequeninas mentes amedrontadas!
Actualmente a onicofagia está bastante alastrada e, por vezes, é acompanhada de tiques e manifestações gestuais semelhantes. Considera-se a nível científico que o acto de roer as unhas é também um mecanismo de defesa, uma forma de agressão, uma reclamação contínua de atenção e de afecto. Quando os ingredientes psíquicos afectivos adequados são ministrados, as ansiedades, inseguranças e medos vão gradualmente desaparecendo, e o hábito de roer as unhas é esquecido.
Não só em criança pode surgir este desagradável processo. Responsabilidades excessivas para além das potencialidades e capacidades do indivíduo, que criam os medos e angústias, podem gerar a onicofagia que surge em qualquer estado etário, como forma de agressão inconsciente contra quem lhe imputa essas responsabilidades excessivas, e assumidas conscientemente pelo indivíduo, convicto que é o que quer, até por uma auto-afirmação ou inflacção do Ego.
Toda a carência profunda de afectividade, de compreensão, de atenção, gera uma angustiante ansiedade que afecta as estruturas psíquicas.
A onicofagia expressa sempre um desequilíbrio emocional.

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